Notícia

125 anos: O Jornal Batista e a construção da consciência denominacional no Brasil

Como a criação de um órgão nacional de comunicação fortaleceu a evangelização, a instrução cristã e a identidade batista no país.

 

Até o final do século XIX, os Batistas no Brasil ainda não dispunham de um órgão de comunicação que atendesse a toda a denominação em âmbito nacional. Os jornais existentes à época exerciam influência restrita às regiões onde eram produzidos, limitando a circulação de informações e a articulação entre as Igrejas espalhadas pelo país.

 

No início do século XX, essa realidade começou a mudar. Missionários como William Bagby, Salomão Ginsburg, Zachary Taylor e J. J. Taylor reuniram-se no Rio de Janeiro com o objetivo de discutir a criação de uma Casa Publicadora que respondesse à crescente demanda por materiais impressos e fortalecesse o trabalho batista em nível nacional. Desse encontro surgiu a decisão de unificar os periódicos estaduais O Echo da Verdade e As Boas Novas, dando origem a um jornal com alcance nacional, capaz de coordenar e divulgar os esforços de evangelização e ensino cristão realizados nas diversas frentes missionárias do Brasil.

 

A criação de um veículo de comunicação nacional tornou-se uma necessidade estratégica. Ele deveria servir à evangelização dos não-crentes, à instrução dos fiéis e à divulgação dos planos e atividades das Igrejas Batistas. Tratava-se de um passo indispensável para o desenvolvimento da chamada consciência denominacional, fortalecendo a identidade e a unidade do povo batista brasileiro.

 

Na edição comemorativa do centenário da Independência do Brasil, Salomão Ginsburg recorda esse momento decisivo e aponta as razões que levaram à criação de uma Casa Publicadora e de um jornal Batista de caráter nacional. Segundo ele, a iniciativa se justificava por três necessidades fundamentais: evangelizar, instruir os crentes e defender a causa batista. A proposta encontrou ampla concordância, especialmente pela convicção de que a centralização das atividades editoriais contribuiria para o crescimento e fortalecimento das igrejas em todo o país.

 

Com a aprovação do projeto, decidiu-se que as Igrejas contribuiriam com ofertas mensais para a manutenção do novo jornal. Também foi definida a fusão dos periódicos O Echo da Verdade e As Boas Novas, até então publicados por iniciativa particular dos missionários Zachary Taylor e Salomão Ginsburg. Embora reconhecendo os relevantes serviços prestados por esses jornais à causa Batista, Ginsburg destacou que sua influência era mais regional do que nacional, reforçando a necessidade de concentrar esforços em um único órgão.

 

Os recursos materiais das tipografias de Salvador - BA e de Campos - RJ foram transferidos para a recém-criada sede da Imprensa Batista, no Rio de Janeiro - RJ. De Campos vieram folhetos, caixas de tipos e um prelo manual. Da Bahia, foi incorporada uma imprensa adquirida com recursos levantados pelo missionário Zachary Taylor, parte deles provenientes de doações de amigos nos Estados Unidos e parte de sua própria propriedade, posteriormente vendida em benefício da obra editorial Batista.

 

Em 1901, sob a direção do missionário William Edwin Entzminger, foi oficialmente criada a Casa Publicadora Batista, responsável pela publicação de O Jornal Batista. A escolha de Entzminger para exercer simultaneamente as funções de redator do jornal e diretor da Casa Publicadora se deu pelo prestígio que possuía no meio evangélico, por sua sólida formação teológica e por seu especial interesse no estudo da Língua Portuguesa, características que o tornaram um publicista habilidoso e respeitado.

 

O primeiro exemplar de O Jornal Batista entrou em circulação em 10 de janeiro de 1901. Em suas quatro páginas iniciais, foram apresentados os objetivos que orientariam o trabalho editorial: oferecer ao público uma leitura proveitosa e instrutiva; publicar artigos sobre temas variados; apresentar, em cada edição, reflexões teológicas que contribuíssem para a formação doutrinária dos leitores, incluindo esboços de sermões; expor e defender de forma consistente as doutrinas Batistas; promover o debate sobre a realidade religiosa no Brasil e no mundo; abrir espaço para a participação dos leitores; divulgar informações sobre as atividades das igrejas batistas em todas as regiões do país; e compartilhar notícias relevantes do movimento evangélico no Brasil e no exterior.

 

Por fim, O Jornal Batista assumiu, desde sua primeira edição, o compromisso de destacar o dever do crente de anunciar o Evangelho a todos os povos e nações. Assim, consolidou-se não apenas como um veículo de informação, mas como um instrumento missionário, formativo e unificador, cuja relevância permanece viva na história e na caminhada dos batistas brasileiros.