Nédia Maria Bizarria dos Santos Galvão, membro da Igreja Batista da Restauração - Missão Batista em Macambira - SE; capelã escolar; especialista em Ciência da Religião; especialista em Docência; bacharel em Teologia
Tiago, o irmão do Senhor Jesus, era um judeu bem instruído, provavelmente com pleno conhecimento do Antigo Testamento e bem familiarizado com a cultura helênica. No capítulo 3 de sua carta, ele dá ênfase ao uso da língua. Contudo, Tiago inicia este assunto com um alerta sobre o ofício do ensino.
1) Quanto à responsabilidade (3.1a) - “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres (...)”: O ser mestre envolve um dom e o alerta de Tiago quanto a essa responsabilidade é para que haja uma certificação, uma comprovação desse dom.
O ensino envolve diretamente o uso da língua, o que torna este ofício potencialmente perigoso. Ensinar envolve a instrução de pessoas na fé, sem falar no exemplo que deve passar no testemunho pessoal. O que instrui deve ter um conhecimento mais elevado. Geralmente, o que instrui tem mais conhecimento que os demais.
Isso não significa que quem é instruído não possa passar alguma informação ou conhecimento que agrega ao que ensina. Mas, entende-se que o mestre se dedica e se esmera nos estudos, na leitura e pesquisas, investe tempo para obter o devido preparo no ofício do ensino, além de lidar com questões espirituais, morais e éticas, o que é de suma importância, daí a advertência do mestre Tiago ao ofício do ensino, quanto à responsabilidade do uso deste dom, que envolve a instrução de pessoas na fé.
Tiago continua alertando acerca do ofício do ensino, agora:
2) Quanto à possível penalidade (3.1b) - “(...) sabendo que receberemos o mais duro juízo”: Tiago agora aponta para um aspecto ainda menos atraente que a responsabilidade, que é um julgamento mais rigoroso. No Evangelho escrito por Lucas, no capítulo 12, versículo 48, estão registradas as palavras do Senhor Jesus: “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”.
O que ensina passará por um rigoroso julgamento, visto que a principal ferramenta do seu ministério é a língua, a parte do corpo mais difícil de controlar. Daí o cuidado com o que se fala de forma impulsiva. Também, sua vida é um espelho e deve condizer com seus ensinamentos. E se o mestre falhar nesses quesitos, estará em sérias complicações. Pois, o julgamento para quem ensina é de um rigor mais elevado, segundo Tiago.
Parece até desanimador o ofício do ensino, de acordo com as instruções do irmão do Senhor Jesus, alguns podem pensar e/ou dizer. Todavia, as palavras de Tiago não são para desanimar, mas para mostrar a seriedade deste ofício, deste ministério. O compromisso do mestre deve ser com a verdade do Evangelho. As Escrituras Sagradas devem ser o seu manual de trabalho. Caso esse compromisso não seja levado a sério, haverá um julgamento ultra rigoroso.
Portanto, estejamos atentos ao alerta de Tiago sobre o ofício do ensino, quanto à responsabilidade e quanto à possível penalidade.