Artigo

Somos Um na PROTEÇÃO: POR QUE PROTEGER?

Adoryan Boechart, pastor, historiador, Advogado e Coordenador de Adolescentes da JBB   

Existe no nosso mundo uma realidade muito cruel: crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos aos perigos de um mundo caído. Segundo o Atlas da Violência 2025, divulgado em pelo Ipea e em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), há um crescimento nos casos de violência na primeira infância, incluindo aumento de agressões e mortes na faixa de 0 a 4 anos. E os últimos dados divulgados pelo governo brasileiro em 2021, cerca de 81% dos casos acontecem dentro de casa. 

O mês de maio se tinge de laranja para nos confrontar com uma realidade que, muitas vezes, preferimos ignorar: a vulnerabilidade de nossas crianças e adolescentes. Para nós, Batistas, o chamado Maio Laranja não deveria ser apenas mais uma campanha, mas uma convocação a uma mudança urgente. O cuidado com os pequeninos não é uma opção institucional, mas uma urgência que une nossa identidade bíblica ao nosso dever cívico.
 

Se somos um em Cristo, como não chorar com os que choram?
 

Ao olharmos para as Escrituras, percebemos que o abuso e a negligência contra os mais novos são marcas da queda humana. José, ainda adolescente, foi vítima de tráfico humano e violência por parte de seus próprios irmãos (Gênesis 37). Joás sobreviveu a um genocídio familiar arquitetado por sua avó, Atalia, precisando ser escondido no templo para preservar sua vida (II Reis 11). Moisés nasce num contexto de tentativa de extermínio de meninos hebreus (Exodo 1). Um relato chocante sobre a fome em Samaria, que faz uma mãe cozinhar o próprio filho (II Reis 6.28-29). Até mesmo o nascimento de nosso Senhor foi marcado pela perseguição infanticida de Herodes. 

Esses relatos não estão na Bíblia por acaso e denunciam que os menores são historicamente um elo frágil da sociedade. Contudo, Deus responde à fragilidade dos mais novos: o Salmista declara que Ele é o “Pai dos órfãos e protetor das viúvas” (Sl 68.5) e o próprio Jesus elevou essa responsabilidade ao patamar espiritual dizendo “Deixai vir a mim os pequeninos”. Neste último, Jesus não estava apenas sendo gentil, mas estava estabelecendo uma prioridade no Reino. Para Cristo, “Quem receber uma destas crianças em meu nome, a mim me recebe” (Mt 18.5). Proteger uma criança, portanto, é um ato de adoração, enquanto negligenciá-la é uma ofensa direta ao Criador. 

Infelizmente, é muito comum Igrejas disponibilizarem os espaços que sobram e equipamentos de menor qualidade para esses grupos. Em muitos lugares é possível ver a pior sala de EBD para crianças ou os velhos equipamentos de som para a sala de adolescentes. Isso pode soar inofensivo, mas revela muitas vezes que temos para esses grupos o lugar errado nas nossas prioridades. Ao vermos a maneira como Jesus tratou os pequeninos, percebemos que isso vai contrário ao que Jesus nos ensinou. Eles deveriam ser nossas prioridades e receber de nós a melhor parte da porção.  

Para além da nossa responsabilidade espiritual, a Constituição Federal de 1988, no seu Artigo 227, estabelece que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à dignidade e ao respeito. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em consonância com os valores de proteção integral, detalha como essa rede deve funcionar. A recente atualização do ECA Digital (Lei 14.811/2024) trouxe avanços cruciais, criminalizando condutas como o bullying e o cyberbullying, além de endurecer penas para crimes sexuais cometidos contra crianças no ambiente virtual. A lei humana, neste caso, reflete o desejo divino de justiça. Se lembre que Justiça é um dos atributos de Deus e que são bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça (Mateus 5.6). Não proteger é, além de pecado, uma omissão legal passível de sanções. Somos corresponsáveis pela integridade física e psíquica daqueles que ainda não têm voz para se defenderem sozinhos. 

É extremamente urgente que nossas Igrejas conheçam as leis que protegem nossos pequenos, ou ao invés de sermos refúgio, corremos o risco de sermos parte do mal que está agindo. Existem excelentes profissionais Batistas que podem contribuir com capacitação, orientação e até plano de ação em muitos casos. Somos muitos, mas somos um, e por isso, todo o corpo pode servir a sua Igreja de alguma forma. 

Vale lembrar que muitos desses pequeninos não estudam, ou vivem em outras condições sub-humanas, ou são explorados ou tudo isso ao mesmo tempo. Outros vivem no meio das escolas de nossos filhos, moram na mesma rua que nossos irmãos e, ainda sim, estão sofrendo abusos diários. Porque a condição que os leva a sofrer não é por conta de sua classe social, mas do mesmo inimigo comum a nós: o pecado.  

A Igreja é, em grande parte dos casos, a única resposta de crianças e adolescentes que sofrem, diante de uma sociedade cujas leis não impendem que o mal triunfe. Muitos dos pequeninos só experimentam o que é o amor com as tias da salinha, por meio da atenção dos líderes de adolescentes ou é possível que a melhor comida que ele terá no ano é durante o acampamento da Igreja. Nós somos a resposta das orações desses pequenos. É no nosso discipulado com eles, no cuidado de sermos atenciosos, no cuidado em selecionarmos com muita cautela nossos voluntários, na capacitação dos nossos irmãos e, no olhar atento da urgência que se instaurou, que o amor de Cristo vencerá. 

Nós, que carregamos a luz de Cristo, temos o dever de iluminar os porões da violência contra os que Jesus amou. Se há uma voz que deva soar contra a impunidade e injustiça, essa é a nossa voz. Que as Igrejas Batistas Brasileiras sejam o refúgio, o abraço seguro e a voz que denuncia o erro e promove a vida. Se ainda formos o único lugar seguro para eles, que sejamos o último e que encontrando a nós, encontrem a Cristo, e nenhum outro refúgio mais será necessário. 

 

 
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