Artigo

E se a ordem alterar o produto final? Você se importa?

A afirmação incisiva de Jesus, registrada em Mateus - “Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” (Mat 24.12) -, prenunciando um dos sinais de Sua vinda, ecoa até hoje, e, ao que parece, anunciando que não tarda por se cumprir. A violação das leis do Senhor, a maldade, a falta de justiça e igualdade para com o próximo, prática desvairada do mal sem arrependimento são algumas das significações do termo iniquidade, e tais práticas, segundo Jesus, são a causa do esfriamento do amor de muitos, porém, por esses dias levantamos uma reflexão: “Se o aumento da iniquidade é a causa do esfriamento do amor de muitos, será que o aumento do amor significaria o esfriamento de tamanha iniquidade na terra?”.

A lógica matemática que aprendemos desde muito cedo, “A ordem dos fatores não altera o produto”, é muito pertinente para fins matemáticos, entretanto, me permito acreditar que no caso da reflexão levantada, a inversão da ordem, pode sim, alterar em muito o produto final. Para nós, as palavras de Jesus (como sempre) são diretas e verdadeiras, porém, neste caso, como em tantas outras passagens, podemos extrair tesouros escondidos que estão muito mais além, ultrapassando sua finalidade primeira, que aqui é de alertar aos discípulos sobre os sinais que deveriam se atentar e que prenunciariam a Sua vinda, mas, em minha opinião, estas palavras são uma verdadeira Denúncia à falta de espiritualidade nos corações de muitos de cristãos, pois demonstra que o aumento da iniquidade é proporcional a nossa dificuldade de amar. Se enxergarmos por essa ótica, podemos pensar que o esfriamento do amor não é apenas o efeito da propagação da iniquidade na terra, mas, na verdade, a causa para essa propagação que, ao se multiplicar, passa a fazer parte do cotidiano dos indivíduos com tal regularidade, tornando-se a regra a ser seguida e o amor apenas uma pequena exceção.

Deixe-me perguntar, quem veio primeiro, o amor ou a iniquidade? Deus é antes de todas as coisas, Deus é o próprio amor, logo, o amor antecede a iniquidade. O amor é a forma exata da manifestação de Deus; onde há o amor, ali Deus se manifesta e onde Deus se manifesta, a iniquidade não subsiste, pois, a iniquidade e o amor, Deus e o mal, são antagônicos entre si. Para pensarmos mais sobre isso imagine pessoas que hoje pensam em tirar a própria vida; adolescentes que não estão felizes com o próprio corpo, porque estão fora do padrão de beleza estabelecido pela mídia e se mutilam desenvolvendo dores internas e solitárias; jovens que cedem as pressões impostas pela sociedade e trocam suas vocações por necessidades que consideram urgentes, mas que não passam do consumismo comum; meninos e meninas que sofrem bullying por seus estereótipos, orientações sexuais, religião ou qualquer outro motivo; e muitos outros casos que poderíamos citar aqui. Responda: esses casos oferecem uma ameaça ou esfriamento do nosso amor, ou esse cenário é a constatação de que nosso amor já esfriou faz tempo? Sendo mais direto, o seu amor aquece a vida daqueles que estão perto, ou a presença destes é indiferente em sua existência?

Enfatizamos estes dizeres para mostrar como a falta de amor significa a falta de nossa espiritualidade, a exemplo do próprio Cristo. Em I João 4.7-8, diz: “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. Aqui, João ressalta que o amor genuíno procede de uma única fonte, Deus, e em Sua expressão máxima, Cristo. O Amor que foi encarnado e se sacrificou e se deixou escorrer até a última gota de si para nos limpar das nossas iniquidades e culpas. O amor vivo que decidiu viver em templos vivos como nós,para manifestarmos a vida com todos os necessitados. O aumento desenfreado da depressão, ansiedade e dos números alarmantes de suicídios ou tentativas é apenas uma das comprovações da crescente iniquidade no mundo e a confirmação denunciada do esfriamento do amor daqueles que deveriam ser o Amor de Deus encarnado na terra.

A importância que damos aos outros revela o quanto os amamos. Não permita que a iniquidade esfrie até congelar o seu coração. Mantenha sua vida aquecida em amor, para que você seja o refrigério daqueles que se sentem cansados e sobrecarregados. Talvez, mudando o nosso estilo de vida, e vivendo como o próprio Cristo, a ordem dos fatores possa ser alterada, e aqueles que se cansaram de sua existência, possam enxergar alegria em viver.

Quem se importa? Cristo se importa! Nós nos importamos!

Equipe Setembro Amarelo

Juventude Batista Brasileira