Artigo

Paz, é possível?

O Dia Internacional da Paz é celebrado anualmente a 21 de setembro, por iniciativa das Nações Unidas, desde 1981, e comemorado apenas no ano seguinte. Mas, em 21 de setembro de 2002, por deliberação da Assembleia Geral das Nações Unidas, é que se oficializou a data. E, seu grande objetivo é promover atos que objetivem pôr fim a conflitos entre os povos.

 

Reconhece-se que paz carrega o conceito de “estado ideal de felicidade e liberdade”, e no caso, entre todas as pessoas de todas as nações do mundo. Para a não-violência deve haver motivação e cooperação voluntária por parte dos governantes, com esse objetivo, haja vista que as diferentes culturas e organizações mundiais possuem conceitos variados sobre o tema. Então, é pertinente o esforço global para se vivenciar paz internacionalmente. E, melhor: que cada pessoa faça algo de concreto para a promoção da paz, porque muitos países se envolvem nela.

 

A globalização, as multiculturas e diversidades políticas, sociais e econômicas podem dificultar o avanço cooperativo, a solidariedade e vigilância na promoção da paz em razão das evidentes divergências. No Brasil, a utilização de armas intensifica as diferenças e promove a instabilidade da paz o que dificulta a promoção da justiça, da liberdade e da própria paz. Outra sorte não têm os países do Oriente Médio, em face de inseguranças política e religiosa em franca ameaça à segurança nacional.

 

O quadro descreve que povos aceitam e outros não, a intervenção pacífica de auxílio que promova a paz. Para muitos povos, o sonho repousa no caos. A influência da pandemia causa prejuízos incalculáveis pela falta de pacificação das populações. É observar a falta de segurança no gesto simples de crianças irem à escola, de brincar com amigos e familiares e os conflitos gerados pela insegurança do próprio sistema de saúde.

 

Paz é possível com liberdade. Entretanto, até esta se limita com a capacidade de recepção e exercício de direitos porque uma vida de paz é possível quando as pessoas se auto reconhecem independente de escolhas individuais em relação à crença e orientações as mais diversas.

 

A proposta divina, na pessoa de Jesus, era proporcionar vida abundante para que cressem nele. Entretanto, seria necessário empenho por parte de seus seguidores. O plano piloto consistia em minimizar as diferenças sociais ao suprir as necessidades básicas, voluntariamente, porque paz não se obriga, se vive e ensina. Um texto extraordinário é o que relata esse plano e toda a sua filosofia cristã. Observe-se:

 

“Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.

 

Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, Nem alforges para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordões; porque digno é o operário do seu alimento. E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno, e hospedai-vos aí, até que vos retireis.

 

E, quando entrardes nalguma casa, saudai- -a; E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz. E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.

 

 Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios.

 

Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão.

 

E odiados de todos sereis por causa do Meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem.

 

Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10. 5-28).

 

Paz é possível. Jesus é insuperável como seu administrador mor. Ele prefere ter pessoas chaves na promoção da paz; Ele dá o destino da Sua implantação, isto é, existem lugares mais carentes da paz que outros; Ele habilita seus emissários ensinando-os a saber o que devem dizer e fazer; Ele os previne que nem todos se amoldarão aos ideais de uma vida de paz e, então, devem se manter firmes na missão em estabelecer a paz onde as pessoas a desejam certos do juízo divino sobre os relutantes.

 

E Jesus os adverte para o pior, ao dizer que eles próprios serão passíveis de intrigas e injustiças as mais variadas, engendradas pelos próprios órgãos governamentais, para por derradeiro, pedir que não temam a própria morte porque a dignidade de uma alma serve pelo cumprimento de seus deveres que tem recompensa, se não aqui, terá na graça da eternidade por ter cumprido o dever de promover a obra do mentor e executor da paz, Jesus. Sim, paz é possível: vale começar a implantá-la com os próprios domésticos. Então, é bom ser seu instrumento e aguardar o resultado.

 

Rubin Slobodticov pastor, colaborador de OJB