Artigo

Encontros notáveis - Série III

Apesar de ser extraordinário ver um paralítico andar ou um cego enxergar, existe um milagre ainda mais surpreendente que esses, cujo poder para realizá-lo somente o Eterno possui. A transformação que acontece não de fora para dentro, mas, no sentido inverso. Vamos relembrar aqui a história de um homem chamado Zaqueu, que foi uma testemunha ocular desse milagre (Lucas 19.1-10).

 

A cultura brasileira chama a atenção do mundo inteiro, principalmente, pela habilidade que possuímos no futebol e pela alegria contagiante de um povo muito carismático. Todavia, nem tudo são flores, pois também somos conhecidos globalmente pelo jeito irresponsável, malandro e burlador de ser, comportamentos que parecem estar entranhados em nosso DNA. O chamado “jeitinho brasileiro”, onde se procura levar vantagem em tudo sempre. Muitos já se perguntaram, incomodados com essa imagem tão negativa: será que existe solução para esse desvio de caráter? Uma população que reclama exaustivamente de seus governantes pelos constantes envolvimentos com a corrupção, mas, que age da mesma forma. São fraudes na conta de água e luz (“gato”), invasão de terras, descumprimento de leis no trânsito, sonegação de impostos, licenças médicas por doenças simuladas e outras dezenas de irregularidades previstas em lei. O pior de tudo isso é que essas pessoas acham tudo isso muito normal. As suas consciências já estão cauterizadas.

 

Zaqueu, assim como muitos brasileiros, possuía um caráter bastante duvidoso, a começar pela sua profissão. Ele exercia um cargo de liderança sobre os cobradores de impostos, os quais tinham uma péssima reputação pela maneira corrupta de proceder com a maioria da população judaica que vivia sobre o jugo opressor do Império Romano, o qual dominava toda aquela região. Este homem possuía um perfil que o tornava um daqueles que as pessoas faziam o seguinte comentário a seu respeito: — “Este nem Deus muda!” Tudo indica que Zaqueu, apesar de ser rico, seu dinheiro não foi capaz de torná-lo feliz e realizado. A popularidade de Jesus chama a atenção daquele homem, afinal de contas, quem é este que tem mudado a vida de tanta gente?! O Mestre estava entrando na cidade de Jericó e uma grande multidão o acompanhava, por isso, Zaqueu resolveu subir numa árvore de modo a conseguir atrair a Sua atenção. Deu certo, o seu comportamento decidido e convicto atraiu o Nazareno que ordenou para que descesse depressa, pois adentraria a sua casa. A resposta de Zaqueu foi convincente, pois, além de receber a Jesus com alegria, tomou a iniciativa de confessar-Lhe os seus pecados, afirmando que daria metade dos seus bens aos pobres e restituiria até quatro vezes mais a todos aqueles a quem ele tivesse defraudado. Jesus, como consegue penetrar as entranhas da alma, logo testificou que as palavras deste publicano estavam sendo sinceras, por isso, fez questão de afirmar diante daquelas inúmeras testemunhas que a salvação acabara de chegar naquele lar. Nascia ali um novo homem, restaurado. O que aprendemos com esse encontro de Zaqueu?

 

Tem muita gente iludida quanto a relevância do dinheiro. Alguns passam a vida inteira obcecados por adquirir mais e mais bens, na expectativa de que serão mais felizes e realizados, pura ilusão! Apesar de ele ser indispensável para a sobrevivência humana, jamais podemos atribuir-lhe tamanha importância. Zaqueu, assim como outras milhares de testemunhas são capazes de comprovar isso. O segundo aprendizado que absorvemos com esse episódio é que a maior evidência de quem teve um encontro com Jesus, não é tão somente frequentar assiduamente algum templo ou religião (II Coríntios 5.17; Gálatas 6.15). Infelizmente, vemos muitas pessoas dentro das Igrejas dando um péssimo testemunho de vida. O maior indicador daquele que se rendeu a Jesus, assim como Zaqueu, é o seu novo nascimento, ou seja, ele passa a ser uma nova pessoa, com um caráter transformado por inteiro. Em terceiro lugar, Deus conhece o profundo do nosso coração. Diante dos homens, Zaqueu era somente um pecador asqueroso e abominável, mas, aos olhos de Jesus era alguém que estava disposto a abandonar o pecado e a recomeçar a sua vida. Diante de casas com pessoas muito melhores que Zaqueu, O Mestre decidiu justamente adentrar a sua, pois entendia a urgência em resgatar um perdido. Quem sabe Ele também não decida entrar em sua casa hoje? “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10).

 

Juvenal Netto

colaborador de OJB